Sleeveface É Bolacha Na Cara

Felipe Rodrigues

Outra ideia maluca que se espalhou pela internet: o Sleeveface já se transformou em um fenômeno mundial; presente na maioria das mídias sociais com milhares de seguidores e conta com muitos adeptos no Brasil.

A coisa é simples: você pega a capa de um disco e coloca no lugar de uma das partes do corpo, arruma a angulação e “click”; dá nova vida a alguns de seus artistas preferidos!

A origem dessa bizarrice não é precisa, alguns dizem que os pioneiros foram fotógrafos que postaram uma porção dessas imagens no site waxyderm.com; mas a fama ficou mesmo com um bando de galeses da cidade de Cardiff, liderados pelo professor Carl Morris.

Sleeveface-É-Bolacha-Na-Cara-5.jpg

Ele e seu amigo John Rostron compilaram mais de mil fotos deste tipo. A coleção dos dois foi lançada pela editora americana Paperback com o nome de Sleeveface: be the vinyl – no ano de 2008.

Carl Morris iniciou a moda do “Sleeveface” enquanto discotecava em uma festa. Ele pegou a capa do disco McCartney II (de Paul McCartney); e colocou na frente de seu rosto, alguém tirou uma foto e deu início à mania. Além disso, Carl dirige a gravadora My Kung Fu; local em que, junto a seus sócios, escuta uma quantidade assustadora de músicas e mexe em discos de vinil o dia todo.

Carl fez um site para armazenar a grande quantidade de fotos. No início esperava agradar apenas nerds musicais como ele, mas recebeu milhares de visitas do mundo todo. No YouTube há vídeos com milhões de visualizações.

“Achei essa ideia muito boa, tenho um disco do Bob Dylan, acho que vou fazer uma foto e enviar”, disse André Marques, web designer que conheceu a moda do “disco na cara” há pouco tempo. E a proposta parece ser essa mesmo. Tanto no blog feito no Brasil quanto no site oficial, pessoas enviam suas fotos, mas apenas as mais criativas são publicadas.

Sleeveface-É-Bolacha-Na-Cara-2.jpg

O intercâmbio entre as imagens ganha notoriedade no caso da brasileira Driely Schwartz, que recebeu um pedido de Carl Morris solicitando  algumas de suas fotos para uma exposição que ocorreu no centro de Cardiff, País de Gales.  “Desde que eu fui incumbida a carregar o legado musical da família passei a colecionar vinil e sempre fui entusiasta de qualquer coisa que possa ser feita para manter viva a memória dos bolachões”, explica Driely. A garota fez sua primeira “sleeveface” com o disco “Faster Than The Speed of Night” da Bonnie Tyler e a partir daí não parou mais.

E os “sleevefacers” levam o passatempo à sério, nada de fotos fora de foco, erros de angulação ou problemas de iluminação. Alguns saem tão perfeitos que é difícil definir onde começa a pessoa e onde termina o vinil. Os mais fanáticos usam as mesmas roupas de seus ídolos para dar mais veracidade à obra.

No site oficial é possível fazer uma busca por fotos de artistas de todas as épocas: da new wave do Blondie ao pop rock do U2, passando pela garageira dos Cramps e o metal do Pantera. Brasileiros como Almir Guineto e Roberto Carlos também marcam presença com composições engraçadas.

Uma brincadeira de nerds galeses que ultrapassou fronteiras pela internet. A grande graça é rir de algo ingênuo e despretensioso, como quem ri de uma brincadeira de criança. O intuito do Sleeveface foi bem resumido na resenha do amigo de Carl, Huw Stephens, sobre o livro Sleeveface: Be the vinyl. Uma ironia bem humorada em relação à onda da autoajuda mundial:

“Este livro não ajudará você a perder peso, fazer amigos ou dinheiro, não fará você parar de comer chocolate ou mudará a maneira como você pensa. Irá, entretanto, fazer você rir, observando brilhantes fotografias”, afirmou.

Deixe um Comentário

A-Idade-Ontem-E-Hoje-1.jpgCamden-Ha-Exatos-57-Anos-1.jpg