Ronnie James Dio – 10 Fatos Que Mostram Que Ele É O Cara

Silvia Zahrah

Ronald James Padavona, nascido em 10 de Julho de 1942, nos deixou há 10 anos – mais precisamente, ao 16 de maio de 2010.

Este é o nome de batismo de um dos caras mais carismáticos e influentes do Rock: Ronnie James Dio, ou simplesmente Dio, sobrenome inspirado no mafioso italiano Johnny Dio.

Conhecido também como o Pai do Heavy Metal, Deus do Metal e um dos Reis do Rock. 

1- TÉCNICA VOCAL IMPECÁVEL

Segundo ele mesmo conta, Dio foi incentivado pelo pai a adquirir alguma cultura musical, e começou a tocar trompete aos 5 anos de idade. Aprendeu outros instrumentos posteriormente. Mesmo mais animado a ser um jogador de baseball, o jovem Padavona continuou a estudar música, e iniciou sua carreira nos anos 50 (ao contrário do que algumas reconhecidas mídias de rock afirmam). 

Mas foi no final dos anos 60 que sua banda na ocasião, The Elves, abraçou a psicodelia e o potencial de sua voz ficou evidente. Porém, ele afirma em diversas ocasiões nunca ter tido aulas de canto, e sequer sabia dizer se sua técnica era “correta” em termos acadêmicos. Sua voz impecável é resultado do estudo de instrumentos de sopro, bom senso, inteligência, treino e genética. 

Dio era dono de uma tessitura vocal ímpar, alcançando tons do tenor ao barítono sem falsetes e com controle impressionante, sendo comparado a Freddie Mercury; trazendo um estilo operístico ao Rock – influência do cantor de ópera Mario Lanza, com suas performances melodramáticas – o que é até hoje explorado por diversas bandas. Pessoalmente, gosto de chamá-lo de Bardo do metal, pois cada música é uma história fantástica, cantada com lirismo e devoção. Ele fez com a naturalidade de quem abre o olho quando acorda aquilo que depois seria uma tendência entre alguns gêneros do metal.

2- ATÉ A SHARON RECONHECE!

Foi Sharon Arden, filha de Don Arden – empresário do Black Sabbath – que apresentou Dio a Tony Iommi. Seu pai não apostou muito no sucesso da parceria, mas, o que seria só um projeto deu tão certo que rendeu: ‘Heaven and Hell’ (1980), um dos melhores discos da banda (fãs da era Ozzy, devemos admitir!); o subsequente ‘Mob Rules’ (1982); o injustiçado ‘Dehumanizer’ (1992); e a reunião da formação de 1982 com o Heaven & Hell. Ah! A mocinha viria a se chamar Sharon Osbourne em breve!

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3- AMAVA SEUS FÃS

Dio sempre foi atencioso e gentil com seu público. De uma disponibilidade e simpatia incomuns para artistas de seu porte; o cantor é lembrado por fãs e agentes em histórias que incluem autógrafos, que ele não negava, em situações curiosas, rolê na Galeria do Rock (SP) e conversas em pé de igualdade. Tudo isso sempre com um sorriso no rosto, o que demonstra a autenticidade dessa entrega.

4- DEU UM TAPA NA CARA DA SOCIEDADE TRADICIONAL:

Quem é do rock sabe que sempre ouvimos aquele comentário da vizinha religiosa, da tia que só aparece no Natal e olhe lá, ou do colega que mal te conhece, insinuando que somos todos satanistas e drogados. A intenção aqui não é questionar quem faz uso de entorpecentes ou quem segue religiões nada ortodoxas, mas sim escancarar como o pensamento conservador limita, rotula e generaliza. Elogiado por parceiros como profissional e técnico, Dio afirma nunca ter usado drogas, pois, para ele, estas destroem nossas vidas e carreiras. E, quanto à suposta adoração ao Demônio, basta uma audição atenta para ver o quanto suas bandas falam de misticismo e espiritualidade. Isso além do que já falamos sobre a mão em chifre.

5- POPULARIZOU A MÃO EM CHIFRE, E A TORNOU SÍMBOLO DO METAL!

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Algumas fontes afirmam que Dio criou a mão chifrada, contudo ela já havia aparecido mais timidamente no mundo do rock como na capa de ‘Yellow Submarine’ dos Beatles, e de ‘Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls’ do Coven, álbuns de 1966 e 1969, respectivamente. Dio nunca exigiu créditos e sua esposa, Wendy Dio, afirma que o gesto é de domínio público, ao ser indagada sobre a patética atitude de Gene Simmons (Kiss) de tentar patentear a mão em chifre. Na verdade, sua origem é mediterrânea e o nome do símbolo é “Mallochio”. Segundo Dio, lhe foi ensinado na infância por sua avó italiana, e serve para afastar o olho gordo.

6- DE BOA E EXTREMAMENTE PROFISSIONAL:

Ronnie James Dio trabalhou com personalidades bastante geniosas, como Ritchie Blackmore e Tony Iommi; foi incumbido com a ingrata missão de substituir Ozzy Osbourne… De praxe, não seria necessário mais que isso para render boas tretas do jeito que a mídia gosta! Ainda assim, Dio não era de soltar farpas e, pelo menos diante do público, mantinha uma postura tranquila. Inclusive, retorna ao Black Sabbath nos anos 90 (saiu em 1982 devido a desentendimentos), e em 2006 se reúne mais uma vez com a banda; sob o nome Heaven & Hell, até o seu último show no final de 2009.

Dizem as más línguas que o clima era tenso, mas o que transparecia para nós, fãs, era que tudo estava em harmonia. Além disso, por outro lado, só vemos depoimentos bacanas sobre ele, da parte dos ex colegas. Esta declaração de Jay Jay French, guitarrista do Twisted Sister, que já esteve em turnê com Dio, define: “Ele era a pessoa mais legal e elegante que você gostaria de conhecer”.

7- DE BOA SIM, BOBO NÃO!

Raras foram as explosões públicas de Dio. Mas, quando explodia, era pra valer, rendendo esporros nos bastidores. Ele sabia também sair com classe, como na ocasião em que o Black Sabbath é convidado para abrir a turnê No More Tours, de Ozzy Osbourne, em 1992: depois de suportar provocações na minha visão bastante infantis por parte de Ozzy ao longo de mais de uma década – as quais foram respondidas quase a altura algumas poucas vezes – Dio simplesmente recusou e pulou fora! P.S.: sou fã do Ozzy também, portanto temos aqui fatos observados por uma narradora imparcial.

8- SENSÍVEL E ALTRUÍSTA:

Dio sempre investiu em empreendimentos filantrópicos ao longo de sua carreira. Exemplos mais conhecidos são a ONG ‘Children of the Night'(fundada em 1979), em prol de crianças vítimas da exploração sexual, ou envolvidas em prostituição e pornografia; e o supergrupo Hear’n Aid, a versão Heavy Metal de iniciativas como o Band Aid e o U.S.A. For Africa, para arrecadar recursos contra a fome.

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Formado por mais de 40 artistas do Heavy Metal, entre eles membros de bandas como DIO, Judas Priest,  Iron Maiden,  Quiet Riot,  Mötley Crüe e outras; o Hear’n Aid gravou o single ‘Stars’, lançado em Janeiro de 1986 em 7″ e 12″, um LP contendo a faixa e trabalhos solo das bandas e um VHS. A soma arrecadada e doada a instituições de caridade foi de um milhão de dólares.

9- CANTOU ATÉ SEUS ÚLTIMOS DIAS

Dio estava em turnê com o Heaven & Hell quando começou a sentir que algo não estava bem. Nem ele nem seus companheiros de banda desconfiavam que pudesse haver algo grave; já que ele comentava sobre um desconforto gástrico, porém, continuava arrebentando no palco. Seu último show aconteceu no House of Blues, em Atlantic City, EUA, encerrando com ‘Neon Knights’, do álbum Heaven & Hell, do Black Sabbath. A quimioterapia começou no final de 2009, e em maio de 2010 Dio chegou a entrar em estúdio, dias antes de sua passagem.

10- DEZ ANOS DEPOIS, CONTINUA INSPIRANDO A CARIDADE, INFLUENCIANDO O MUNDO DA MÚSICA E RECEBENDO HOMENAGENS

Encerrando a lista, já prevejo que esta vai ficar com aquela cara de matéria sem fim. Talvez porque existem muito mais do que 10 motivos. Ou porque um legado como esse não deixa ponto final, mas sim reticências para uma história que continua, mesmo sendo sobre um artista que faz falta.

A morte de Ronnie James Dio, causou comoção e recebeu homenagens de todo o mundo do Rock. Lars Ulrich (Metallica), Corey Taylor (Slipknot),  Tony Iommi (Black Sabbath), Ozzy Osbourne (siiiim, o velho Ozzy, ambos se respeitavam apesar do climão), foram apenas alguns deles.

Foram lançados dois tributos em sua homenagem, em 2010 e 2014.

QUASE ME ESQUEÇO DE MENCIONAR O HOLOGRAMA… TALVEZ PORQUE, PARTICULAMENTE, NÃO ASSIMILEI BEM A IDEIA…

Também em 2010, uma start-up de fãs, tendo como co-fundadora Wendy Dio, viúva do cantor, criou o ‘Ronnie James Dio Stand Up e Shout Cancer Fund’; com o objetivo de financiar pesquisas e promover o diagnóstico precoce do Câncer.

Uma das ações da entidade é a realização de um boliche beneficente, com jantar e presença de grandes nomes do Metal, que rola anualmente, o ‘Bowl For Ronnie’. Um jeito leve e divertido de continuar suas ações filantrópicas e reunir os fãs que ele tanto amava. O canal da fundação publicou um vídeo com diversas personalidades homenageando o Deus do Metal, na ocasião dos 78 anos de seu nascimento:

Wendy revelou em entrevistas que um documentário sobre a vida e obra do cantor já está sendo produzido, com lançamento previsto para 2020, pela BMG. Em tempos de pandemia, nenhuma previsão é exata, então vamos aguardar!

Como sempre, ela exalta o amor que ele tinha pelos fãs: “Ronnie amava seus admiradores, e espero que aproveitem essa viagem através de sua vida!” 

Enquanto o documentário não sai, uma boa fonte é a biografia:

Ronnie James Dio: a História de Um Ícone do Heavy Metal‘, de James Curl, lançada recentemente em língua portuguesa pela Editora Estética Torta, com tiragem de 900 exemplares. 

E essa lista começou produzindo o B-Pop especial Dia do Rock de 2020. Faltou tempo, sobrou assunto, e o link para ouvir o programa de novo está aqui!

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