GRINDHOUSE – Planeta Terror / À Prova De Morte: Um Projeto De Respeito

Ana Paula Santos

Os diretores americanos Robert Rodriguez e Quentin Tarantino têm em suas filmografias um histórico de reproduzir a estética de estilos antigos de filmes. E isso faz parte do sucesso e reputação que eles adquiriram ao longo dos anos.

Amigos de longa data, eles também planejaram e executaram o projeto Grindhouse, que emulou as produções antigas de baixo orçamento que eram exibidos nos cinemas americanos dos anos 1970.

Naquele tempo, alguns cinemas baratos ofereciam sessões de dois filmes na sequência, e o expectador pagava apenas o valor de um ingresso (o popular esquema “2 por 1”). Os filmes exibidos tinham como principal característica o abuso do erotismo e do terror gráfico. Era muito comum roteiros que exploravam a violência, o uso de drogas, muito sangue, monstros nojentos e moças bonitas em trajes minúsculos correndo perigo. Por terem baixo orçamento, esses filmes tinham diversas falhas técnicas, como defeitos nos rolos, partes faltando e erros gritantes de continuidade.

No ano de 2007, os diretores lançaram o projeto Grindhouse: composto de dois filmes (um dirigido por cada); que reproduziam não apenas os roteiros desses filmes de baixo orçamento, mas também a estética deles.

A ideia original era exibir os filmes em sessões duplas, incluindo alguns ‘trailers’ falsos criados por Eli Roth,  Rob Zombie e Edgar Wright; mas a baixa aceitação do público nos Estados Unidos devido à duração dos filmes (a soma deles dava mais de 3h10m de duração); fez com que as produções fossem exibidas nos cinemas de maneira independente. Inclusive no Brasil foi assim.

Robert Rodriguez nos entregou “Planeta Terror” (Planet Terror); uma alegoria do apocalipse zumbi, onde um grupo de pessoas, tenta sobreviver a um gás tóxico que transforma os seres humanos em zumbis deformados e famintos por carne fresca.

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A heroína dessa turma de sobreviventes corajosos é a dançarina de boate Cherry Darling (interpretada por Rose McGowan), que usa uma metralhadora como prótese no lugar da perna amputada. O elenco conta com nomes como Bruce Willis, Josh Brolin, Freddy Rodriguez e a cantora Fergie. Essa mistura de ação com terror e ficção científica tem uma boa reputação e fez bastante sucesso quando foi exibido nos cinemas do Brasil. Sucesso esse que o filme do Quentin Tarantino não conheceu.

“À Prova de Morte” (Death Proof) nos apresenta Stuntman Mike (interpretado por Kurt Russell); um dublê misógino que dirige um carro Chevy Nova preto todo modificado para aguentar os maiores impactos sem atingir o motorista.

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Seu hobby é dirigir pelas estradas atropelando e matando mulheres bonitas, jovens e desavisadas. Um dia, ele se depara com um grupo de mulheres que não apenas sobrevivem ao ataque do cara, como resolvem revidar (com muita violência) o que sofreram. Aqui, Tarantino se esbalda no que faz de melhor: criar toda uma atmosfera de sensualidade, mais ainda de perigo; com ótimos personagens e ótimas sequências de diálogos. Ao colocar as mulheres no papel de vítimas, assim também de protagonistas dessa violência, ele mostra que não existe essa de sexo frágil quando sua vida é colocada em risco: ou você mata, ou você morre! Infelizmente, “À Prova de Morte” não fez sucesso no país e só foi exibido por aqui em 2010 e passou quase despercebido. O que é um absurdo sem tamanho, pois é um filme excelente, que considero um dos melhores da carreira do Quentin.

Rodriguez e Tarantino se preocuparam com os mínimos detalhes desses filmes para que eles ficassem o mais parecido possível com um filme de baixo orçamento dos anos 70; isso incluiu envelhecer digitalmente os frames e incluir falhas de enquadramento e até reproduzir um rolo de câmera com defeito.

Tudo isso traz para a tela um novo nível de diversão cinematográfica, com uma carga histórica fantástica e muito relevante para entendermos toda essa maravilha que é o cinema. Esse projeto inovador Grindhouse foi muito bem-sucedido na sua tentativa de homenagear os filmes B, embora, financeiramente, não trouxe lucro para nenhum dos diretores.

No meu entendimento, esses filmes não fizeram tanto sucesso quanto poderiam, pois, as pessoas que foram assistir (a maioria bem jovem) não entendeu as referências e no que se baseavam a estética dessas produções.

Pior pra eles, que deixaram de aproveitar filmes divertidos e, ao mesmo tempo instigantes; que carregam em sua aparente “despretensão” o DNA de dois incríveis e talentosos cineastas.

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Planeta Terror (dublado)

À Prova de Morte (dublado)

ANA PAULA SANTOS parece um amorzinho, mas é do tipo que arrumaria brigas homéricas no trânsito (caso soubesse dirigir)

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