Confesso Que Torci – Uma História Do Futebol

Newton Fusetti

O futebol permeia minha família desde o primeiro descendente que desembarcou nas praias de Recife. Vindos da Itália para Bahia, da Bahia para São Paulo, minha família sempre se manteve ligada às origens através do futebol. Meu avô, ainda com um português reticente, ligou-se ao clube Palmeiras por conta das raízes do país da bota.

O primeiro presente que me lembro foi uma camisa do Palmeiras que ganhei no natal em 1999. O futebol tornou-se um elo entre minha família, assim como a macarronada aos domingos.

A velha máxima de que política e futebol não se discutem, nos mostra o quanto sabemos pouco de tais pilares da sociedade. O futebol moderno, nascido no século XX, em 26 de outubro de 1863, com regras simples, acessível a todos, pobres ou ricos, começou a ser disseminado pelo mundo. No Brasil, o esporte bretão, foi trazido pelos trabalhadores ingleses; nos intervalos das construções de ferrovias, os operários matavam a saudade através da bola.

Nos anos 80, em plena ditadura militar brasileira, Sócrates e Wladimir, encabeçavam o movimento da democracia corinthiana.

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Wladmir, à esquerda e Sócrates, ambos discursando.

Trazendo ideias de liberdade, voto e igualdade entre todos; os jogadores marcaram presença nas manifestações das DIRETAS JÁ. Enquanto na Europa, no auge do fascismo italiano de Mussolini, os torcedores de um pequeno time da região da Toscana lutavam contra o regime ditatorial. Os adeptos do Livorno, historicamente ligados à luta dos trabalhadores, formavam um dos principais centros de resistência contra o Nazi-Fascismo à época. Ainda durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu um jogo conhecido como “A partida da morte”. Nela, um jogo não-oficial disputado em 1942 por prisioneiros de guerra soviéticos e soldados nazistas de Wehrmacht. O time soviético, formado em sua maioria por ex-jogadores da equipe do Dínamo de Kiev, derrotou os alemães, mesmo sabendo que as consequências de tal feito poderiam ser fatais.

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Jogadores da equipe do Dínamo de Kiev, à época.

Posto que na Espanha, na ditadura Franquista, foram proibidas quaisquer demonstrações de regionalismo. Torcedores catalães e bascos, do Barcelona e Athletic Bilbao, respectivamente, uniram-se para manter firmes seus costumes loais. Após a morte de Franco, a primeira aparição das bandeiras da Catalunha e do País Basco foi em um amistoso de ambas seleções.

Mais recentemente, a seleção brasileira realizou um amistoso, em 2004, contra a seleção do Haiti, na capital Porto Príncipe.

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Seleção Brasileira, então campeã mundial, em 2004, saúda o povo Haitiano.

Há época, o país vivia uma sangrenta guerra civil. Com a realização do amistoso, a nação deu uma breve trégua no conflito para ver o jogo das seleções. Há tempos, o ex-treinador italiano Arrigo Sacchi disse uma das frases que mais simbolizam o esporte na história:

“ O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes”.

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