O Manifesto – Indeterminação Universal

Danilo Araújo

Em meio a uma condição onde o desejo fulminante pela libertação do flagelo torna-se ininterrupto, o ser almeja ultrapassar as barreiras do aprisionamento.

Enclausurado dentro de si mesmo, encontra-se ensurdecido por suas próprias vozes.

O desejo, este mesmo que conduz a energia vitalícia do homem, é um mero refém das vontades latentes de superação de suas marcas latejantes, essas que acirram a disputa sobre a elevação do espírito na própria carne.

A leniência não existe mais dentro dessa volúpia inescrupulosa de sentidos impermanentes que clamam por liberdade, é pura e simplesmente transformada em morbidez de dias estarrecidos pela entropia claustrofóbica que nos consome. A própria besta resigna-se na angústia do ser, de forma a possuir a fluidez de nervos pulsantes do organismo vivo que continua em seu trajeto desenfreado por laços e construtos de energia.

O sangue envolve-se numa relação de contrafluxo com sua carne enquanto percebe a necessidade de reorganização ecossistêmica com a natureza viva e confabula acerca da evolução de seu flúor etéreo.

A vivacidade dos dias que se antecederam ao flagelo soa como uma lembrança distante de tempos esquecidos, memórias fugidas, um verdadeiro descalabro para aquele que se adaptou a uma forma de vida harmônica um dia na terra em sua magnitude e transparência.

Transparência. A vida como uma fonte inesgotável de energia vitalícia nos dias em que pulsamos pelo êxtase, não transparece mais. Não reflete mais.

O arrebatamento do corpo está aqui!

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Todas as partículas orgânicas vão se desintegrando, como se o cosmos tivesse abandonado sua ligação com a existência do que é terreno.

Os afetos se alimentam do fogo, aquele que um dia prometeu a intensidade de respiros puros e sinceros, mas hoje encontra-se com suas chamas recuadas diante da magnitude do demiurgo do flagelo. Rasga-se toda a possibilidade de seu rejuvenescer, involuntariamente precedido.

Dias, dias, dias passam-se, dias, sonhos, meses passaram-se, o cume, o ápice e o alicerce sucumbem. Quando os céus voltarão a explanar sua reciprocidade para com o ser novamente? A dádiva do inferno não nos permite responder a essa questão.

Mas através de nossas oscilações enaltecidas pelos elementos de fundamentação da vida, podemos conversar com o demônio que emana a fumaça da terra no momento de seu sono duradouro e questionar-lhe acerca da condição humana.

Os signos do clamor vão passar por uma metamorfose para a ressignificação.

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A ressignificação será a forma tomada pela nova representação do caos.

Todos os demônios estarão aqui para a fase de transmutação dos sentidos com a natureza do ser.

A condição suprema

O manifesto da vida.

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