Mulheres Na Garagem – Parte 1

Felipe Rodrigues

Ao final dos anos 50 o rock’n’roll estava longe de ser um estilo unicamente feito por homens. Logo nos primeiros anos do gênero surgiram figuras como Big Mama Thornton, conhecida pela voz rasgada e pelas apresentações enérgicas, Janis Martin, alcunhada como “Elvis feminina” por dançar como o ex-caminhoneiro sulista; e Wanda Jackson, a “Rainha do Rockabilly” com seu piano frenético.

Elas lançaram respectivamente as músicas: Hound Dog, gravada por Thornton pela primeira vez em 1953 e depois relida por infinitas bandas; Drugstore Rock And Roll (1956), e Let’s Have a Party, cover de Elvis de 1957.

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Apesar da profusão criativa referente a estas mulheres naquela época nascente do rock, Chuck Berry, Little Richard, Bo Diddley e Carl Perkins já tinham gravado os primeiros discos, eram os protagonistas e considerados criadores do estilo.

A LUTA PELO ESPAÇO NO ROCK… E NO MUNDO

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Aquele período nos EUA foi marcado pelo surgimento do American Way of Life. Com base nas tecnologias descobertas durante Segunda Guerra Mundial, juntamente a produção em larga escala, foram implantados nos lares estadunidenses eletrodomésticos como enceradeiras, liquidificadores, panelas de pressão, vitrolas (eletrolas) de alta fidelidade e televisores. Assim, as mulheres foram imbuídas a propagar este modo de vida como algo revolucionário e facilitador do cotidiano, relegadas aos deveres com a casa e os filhos, muitas cumprindo jornada dupla. Dessa forma, haveria espaço para elas no rock? Sim. E também não.

A INVASÃO INGLESA E AS PRIMEIRAS BANDAS DAS ADOLESCENTES

Nos anos 60 ocorreu uma propagação rápida do rock’n’roll devido ao surgimento de grupos como Beatles e Rolling Stones: a famosa Invasão Inglesa. Ambos declararam publicamente ter enorme influência dos primeiros roqueiros dos anos 50. Neste contexto, as adolescentes começaram a montar suas bandas. Se as misses Wanda, Janis e Thornton tinham aberto espaço no gênero, agora eram as meninas na faixa dos 15 anos que começavam a empunhar instrumentos e tocar rock.

PROCURA-SE PRAZER

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Uma das bandas que conseguiu certo sucesso naquele período foi a Pleasure Seekers. Elas eram de Detroit, cidade que posteriormente ficaria conhecida como celeiro de músicos como os Stooges, White Stripes, Rodriguez e MC5. Um nome importante na formação da banda foi Suzi Quatro, integrante que obteve sucesso como artista solo mais adiante e se tornou uma referência para as gerações que não conheceram as Seekers nos anos 60.

De acordo com Suzi Quatro em seu livro de memórias, Unzipped, o nome da banda originou-se por inspiração do hedonismo. Pleasure Seeker pode ser entendido como “as que procuram pelo prazer”.

Irmã de Suzi, Patti Quatro foi quem formou as Pleasure Seekers no ano de 1964. Após algumas semanas praticando com a banda, Patti entrou em contato com Dave Leone (dono do clube adolescente The Hideout), pedindo uma apresentação. Duas semanas depois, Dave as colocou para tocar no clube, local de onde não saíram mais!

Ganharam força na florescente cena musical de Detroit e chegaram a fazer shows nos mesmos locais que Alice Cooper, Bob Seger, Ted Nugent, entre outros.

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A formação original da banda incluía Suzi Quatro (baixo), Patti Quatro (guitarra), Nancy Ball (bateria), Mary Lou Ball (guitarra) e Diane Baker (piano). Tempo depois, Arlene Quatro substitui Diane Baker no teclado. Nancy Ball foi baterista da banda até 1965, quando saiu para a entrada de Darline Arone, que ficou até 1969. O empresário da banda era Leo Fann, marido de Arlene Quatro.

As Pleasure Seekers fizeram sua primeira gravação em 1964 pelo selo do clube The Hideout, quando Suzi Quatro e sua irmã Patti tinham respectivamente 15 e 17 anos. O primeiro single apresentava as músicas Never Thought You’d Leave Me e What a Way to Die. A primeira música entrou para a coletânea Highs in the Mid-Sixties, Vol. 6. Outra coletânea em que as canções apareceram foi a Friday at the Hideout, compilada por Dave Leone e que mostrava uma retrospectiva das bandas da Hideout Records.

Um acontecimento importante para as Pleasure Seekers ocorreu no ano de 1968, quando se tornaram o primeiro grupo de rock formado só por mulheres a assinar com uma gravadora major: a Mercury Records.

Assim, elas gravaram um segundo single que continha as músicas Light of Love e Good Kind of Hurt, ambas sucessos. A banda começa a ganhar mais maturidade no palco; passando a apresentar shows mais dinâmicos pelos Estados Unidos, tornando-se grande na cena local de Detroit. Nas apresentações, além das músicas autorais, elas faziam releituras de discos como Sgt. Peppers e Magical Mystery Tour, dos Beatles, assim como versões de canções da Motown.

Após a separação das irmãs Quatro, houve uma reunião para um especial de televisão e alguns shows. Uma música das Pleasure Seekers, What a Way to Die, foi relida pela banda The Mummies, fato que realçou a curiosidade pelo som das meninas ao final dos anos 80.

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