Estamos em nossas casas e sonhamos com o mundo lá fora.
Mas aquele mundo com o qual sonhamos, não existe mais.
Agora somos artífices de um mundo,
que já está sendo plasmado por novos sonhos, novos pensamentos.
É como se um raio fortíssimo, brilhante, reluzente
de repente rachasse o céu desse mundo e dividisse nossa história
em antes disso tudo e depois disso tudo.
Enquanto isso, vemos heróis do século XX
se despedirem em meio a este momento.
Pioneiros do rock mais primitivo, mais crú.
Pioneiro do som mais futurista, mais “cozido”.

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E isso me faz pensar que parecemos antropólogos,
em busca de novos Elos Perdidos.
Novos sons, palavras, vestígios de outras civilizações, outros tempos perdidos.
Na nossa busca por outros sonhos que outros sonharam
e que não se perderam com o nascer do sol.
Viraram notas musicais, viraram canções, livros, peças,
experimentos que traduziram emoções
ou construídas por espasmos em meio a ansiedade por novos tempos.
Um novo começo para novos neandertais, ainda que seja 2020.
Presos em nossas cavernas e nos preparando para ver a luz do dia.
Ou lagartas em seus casulos, esperando o dia de secar suas asas recém-nascidas
no primeiro voo.
Todos nós vamos ter que nos adaptar.

Há uma nova realidade sem Little Richard, sem Florian Schneider?
Não. Porque ainda bem que a arte é imortal e assim ela sobrevive aos tempos.
Eles fizeram sua parte com Lucille, Tutti-Frutti, Hall of Mirrors, Radioactivity, etc.
Tem também o Dave Greenfield, que cometia com os Stranglers, crimes perfeitos.
Aldir Blanc e seus hinos nacionais, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Rubem Fonseca, Sérgio
Sant’anna, com seus textos retratando tempos antipandêmicos.
Flávio Migliaccio, tantos jazzistas e outros artistas ao redor do globo, que gira, gira e gira.
Por mais que alguns ignorem essa evidência em plena Idade Média do Sec. XXI…

Nós resistimos, apesar de tudo, como diz o título do novo trabalho do Einsturzende
Neubauten, que é primitivo e futurista simultaneamente.
Ainda o fogo não surgiu e os tigres e outros animais grotescos torcem para a nossa saída.
Somos frágeis e com data de validade, mas, não sabemos quando.
O que nos resta ainda é muito.
Temos nossos sonhos e quando esse pesadelo acabar,
Um novo dia.

IMAGENS:

Da-caverna-2
Little Richard
Da-Caverna-3.jpg
 Florian Schneider – Kraftwerk
Stranglers-6.jpg
Dave Greenfield – Stranglers
O sétimoSelo
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Idade Média – Filme O Sétimo Selo

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