Quando eu era adolescente, olhava para minha mãe com 41 anos (de idade), já avó e a achava velha. Acredito que ela também se via assim!
Aos 30 ela já tinha metade do cabelo branco e nunca tingiu. Enquanto eu, aos 45 anos, carrego cabelos com muita tinta e descoloração para ficar loiro em corpo negro; e não me acho nem um pouco velha. Aliás, estou longe de ser avó, meu filho ainda está entrando na pré-adolescência.

Você pode pensar que eu seja uma exceção – e até pouco tempo eu também pensava assim, já que vi muitas amigas casarem aos 19 anos e terem filhos em seguida.

Vi minha irmã mais velha ser mãe solteira e ser colocada para fora de casa ao descobrirem a gravidez. Uns 4 anos depois aconteceu o mesmo com minha outra irmã e o drama se repetiu… Meu pai chegou a comprar uma arma achando que isso defenderia a “honra da família”. Fiquei tão traumatizada que prometi que o mesmo não aconteceria comigo.

Numa época em que havia poucos casais separados e que o divórcio ainda era tabu, as mulheres estavam fadadas a viver casamentos infelizes e a se apagarem perante marido e filhos. Envelheciam, não só na aparência como também no comportamento, pois, tinham que obedecer certas regras sociais que as separavam de suas juventudes.

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Ainda temos muito a conquistar, mas já entendemos ter direito de ser nós mesmas e não a esposa ou a mãe de alguém e ser quem somos é o melhor tratamento de beleza que podemos nos dar.

Mas, por que falar isso no blog de uma rádio? Acredito que as coisas mudam pouco a pouco, bem devagarinho, imperceptivelmente às vezes. E, por que estou sendo tão redundante na minha frase? Porque assim senti ao longo da vida… 

Percebi que quanto mais nos informamos e quanto mais falamos, mais colaboramos para promover nossa liberdade, nossa felicidade, enfim, nossa juventude…

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Quando minha terceira irmã ficou grávida solteira – sim aconteceu – já não foi tão traumático para a família. Ela teve mais apoio. Já vivíamos novos tempos. Contudo, a geração seguinte, formada por uma maioria de mulheres atualmente com mais de 25 anos já são muito mais bem resolvidas; já sabem e tem acesso à camisinha e anticoncepcional. Ainda aprenderam que o homem é, no máximo, um parceiro e não um príncipe encantado. São donas de si. Não dependem de permissões dos outros.

Entendi que a juventude esteja muito mais na cabeça e no coração do que na cara ou no corpo 

E hoje, conquistamos o direito de fazermos planos independente de nossa idade, já que não há nada mais “jovem” do que fazer planos para o futuro!
Com 45 anos de idade penso que ainda posso errar muito. Tenho vontade de fazer coisas novas mesmo sabendo da possibilidade de fracassar. Me pego sonhando o tempo inteiro e me permito ir em busca de realização.

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* Usamos as fotos da Sofia Loren aos 72 anos (é isso mesmo!), posadas para o calendário Pirelli de 2007

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